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21 de junho de 2012

Saúde Mental dos portugueses

Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso,publicado no Público

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projeto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a atual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos
ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os diretores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de
desemprego em Portugal afeta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à atividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal coletiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

12 de junho de 2012

Muhammad Yunus - Criando Empresas Sociais

Como é que qualquer pessoa no seu perfeito juízo pode pensar que um mundo equilibrado, pacífico, sustentável e produtivo alguma vez  poderá sair da concorrência aberta, ou seja, uma guerra aberta desde indivíduos a competir uns contra os outros para o trabalho das empresas, que lutam umas contra as outras pela quota de mercado, até aos governos que competem uns contra os outros pelo domínio económico global?
Peter Joseph






Às vezes

 




Às vezes... o profundo que pressupões não tem fim;

Às vezes... a ida parece não ter volta;

Às vezes... a lagrima insiste em rolar, e parece não ter fim;

Às vezes... pensamos estar sós, e não ter um ombro próximo para nos acalentar;

Às vezez... odiar é muito fácil e amar é complicado;

Às vezes... a vingança parece o caminho mais curto e perdoar tão impossível;

Às vezes... tudo se complica.O certo se torna errado e o errado certo;

Às vezes... Os pés se cansam na jornada tão longa e cansativa;

Às vezes... Perdemos as expectativas e achamos tão atrativa a desistência e complicado é tudo á nossa frente;

e perguntamos : Como será? Porquê? E agora?

Às vezes... esquecemos ás vezes... somos esquecidos;

Às vezes... Lembramos às vezes... somos lembrados;

Às vezes... falamos mesmo que calados;

Às vezes... Calamos nos gestos, e outras tantas afogamos no profundo do nosso intimo

e nos trancamos dentro de nossas portas, dentro de nosso mundinho todas nossas magoas e decepções;

Às vezes... esquecemos que a vida é bem além, bem maior, e que o mundo é grande e muito além do nosso próprio, do que criamos;

e quem o fez é infinito, e infinitamente capaz de nos fazer superar tudo;

Às vezes... Olhamos para baixo, outras para o alto;

Às vezes... Como criação que somos, esquecemos que quase sempre o sol brilha;

Sol que faz as folhas brotarem, e surgir o verde no lugar do amarelado;

O Oasis em lugar do deserto, deserto que às vezesé tão perto...

Há vitória no lugar de derrota, sucesso em vez de fracasso;

É, o "às vezes"... aos poucos vai se transformando no "sempre"... Sempre!

E o sempre, sempre traz Constancia, e a Constancia, elegância...

e assim descobrimos a beleza de se viver, de insistir, de se superar;

e de ser simplesmente... Nós.




Leorena

11 de junho de 2012

O Elogio da Pobreza


A palavra pobre é uma daquelas palavras que carrega um determinado peso com ela.
A certa altura da nossa história chamar de pobre a alguém era qualquer coisa que estigmatizava a pessoa ou determinado conjunto de pessoas.
Em portugal sempre ligamos muito aos adjectivos e chamar de pobre como chamar de cigano ou "Zé ninguém", sempre criou uma distância entre quem classsifica e quem é tristemente classificado; isto além de ferir a pessoa que é adjectivada. Por terras Lusas sempre fomos muito doutos em estabelecer hierarquias, em dar rakings, em dividir por patentes a determinado conjunto de pessoas ou familias.
Os pobres e os ricos; os burgueses e a plebe; o funcionário e o doutor, o engenheiro e o assalariado; o patrão e o empregado... etc,etc.
Mas existem alturas no decorrer de um ciclo civilizacional em que as palavras parece que se revoltam contra a sua condição e ganham novo significado, novo brilho, enobrecem-se e transmutam-se a elas mesmas.
E é o que parece que está a acontecer com a palavra pobre.
Parece-me a mim que ser pobre nos dias que correm não é necessáriamente mau.
Ser pobre, mas pobre de verdade, é até algo que faz muita falta, algo bom?

Em primeiro lugar quase ninguém é pobre nos dias de hoje! Este é o primeiro ponto que é óbvio e está claro para toda a gente. Já não existem pobres como no tempo dos nossos avós em que a unica refeição do dia era uma tigela de sopa, e o simples facto de se ter uma galinha era um bom trunfo! Se existe pobreza, não sei que pobreza é, expliquem-me! Mas atrevo-me a dizer que talvez pela escassez, ser pobre nos dias de hoje seria algo muito útil, e muito nobre.

Por esta altura já o significado da palavra pobre sofre uma transformação, arrisco-me a dizer uma verdadeira metamorfose. É como se a palavra se rebela-se contra a sua condição de sempre e procura-se uma mudança.

Nós não sabemos o que é ser pobre! Ser pobre, mas pobre de verdade, pobre como antigamente, talvez fosse ser rico nos dias que correm! Quem sabe?

O pobre por natureza e por condição sempre esteve mais ligado á natureza do que o rico. O pobre é atento ao detalhe e sabe maravilhar-se com as pequenas coisas.
Se uma flôr desabrocha isso é magnífico... especialmente se essa flôr der fruto! Se o vento sopra de oeste é aguaceiros fortes; se este verão está muito quente é bom para a cebola se for bem regada; se o tempo está húmido e nebulado é bom para apanhar caracóis que ainda se faz alguns trocados com a venda.
O pobre sabe os ciclos da lua, quando se semeia e quando se deve transplantar, colher ou fazer as enxertias.
O pobre viveria, quem sabe, naquele conforto de ter a Natureza, ela mesma, como madrinha, se algo correr mal sabe que pode contar com ela!
O pobre, mas o pobre de verdade sabe viver com pouco dinheiro e não está mais dependente duma crise económica do que está se este ano não for tão bom na safra do milho. A vida de pobre é simples e este depressa constrói uma casa com os poucos materiáis disponiveis por ai. Se não tem gás cozinha com lenha e se tem conheçe a fruta da época. Um pobre vive facilmente com pouco. Nós se calhar já não!
O pobre como disse é atento e essa pobreza que é virtude e atênção é transversal no relacionamento humano – o pobre trata todos com respeito e quem sabe com afecto. Mas eu que escrevo este artigo não sou nem nada pobre; limito-me a imaginar como seria ser!
O pobre é educado por natureza pois rejeita qualquer artificialismo e sabe intuitivamente o que traz bons frutos ou maus frutos. A título de exemplo uma vez uma pessoa do campo disse-me que detestava coca-cola, e foi nessa espontanea rejeição de um produto artificial que eu me dei conta que estava tão dependente dessa bebida.
Aquele ar de estranheza perante a bebida fez-me pensar no que é que eu andava a consumir e aceitava tão normalmente. Isto a título de exemplo...
O que eu quero apontar com este artigo é que ser pobre pode ter as suas vantagens e nos tempos que correm ser pobre, mas pobre mesmo, talvez fizesse falta a muita gente.
Não pelo facto de passar fome, ou como atitude masoquista ou austera, mas pelo facto de respeitarmos mais os outros, de não dar-mos adjectivos a palavras que talvez nem conheçamos o significado; e também pelo facto conhecer um pouco melhor a natureza, saber viver com o necessário e um pouco mais livre de artificialismos.
Ser pobre... quem dera a muitos!

Hoje a pobreza talvez seja outra! Sabem qual?

Marco Filipe da silva Lucas em 10 junho 2012 às 22:36