FIB: Índice para medir prosperidade
Felicidade, satisfação com a vida e bem-estar são “metas que os governos deveriam prover aos seus cidadãos” afirma o butanês mestre em política, filosofia economia, Dasho Karma Ura. Ele diz isso com a experiência de quem acompanha de perto a aplicação de um novo conceito para medir o desenvolvimento de uma sociedade - o FIB (Felicidade Interna Bruta), que começou a ser desenvolvido há duas décadas no Butão, pequeno país vizinho da Índia e da China.
Karma estará na 5a. Conferência Mundial do FIB, dias 08, 09 e 10 de novembro no Centro de Eventos de Fortaleza, para falar sobre o tema, como parte da programação da 10a.Bienal Internacional do Livro.
O objetivo da organizadora do evento, Magui Guimarães é estimular que o modelo do FIB seja adotado por empresas e governos no Brasil.
A experiência começou no Butão em 1972, por iniciativa do rei Jigme Singye Wangchuck, com a proposta derever o significado de desenvolvimento social e econômico. Após mais de duas décadas, os índices de analfabetismo e mortalidade infantil caíram drasticamente no país e as belezas naturais estão preservadas, sendo 25% do território formado por parques nacionais.
O FIB foi desenvolvido após diversas conferências que reuniram especialistas de várias partes do mundo para identificar o que é importante para trazer felicidade às pessoas de uma nação. Foram identificadas nove dimensões da vida para avaliar o nível de felicidade da população: padrão de vida econômica, critérios de governança, educação de qualidade, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicológico. A avaliação ocorre por meio de pesquisas de percepção construídas com base em mais de 150 indicadores que integram as nove dimensões citadas.
Idealizadores e adeptos do FIB valorizam no modelo o fato de ter uma abordagem mais ampla sobre o desenvolvimento da sociedade do que outros métodos, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que não considera os aspectos subjetivos do indivíduo, e o Produto Interno Bruto (PIB), que segue um critério estritamente econômico, sem levar em conta a destruição do meio ambiente e a subjetividade. “Nenhum outro índice chega perto daquilo que se quer com relação à felicidade”, afirma Karma.
De acordo com o pesquisador, os resultados dos questionários de percepção oferecem subsídios para gestores de uma cidade ou país, eleger as prioridades de governo para garantir o bem-estar das pessoas. As informações também devem estar disponíveis aos cidadãos para que, mais cientes da realidade, possam contribuir com sugestões de como melhorar a vida da população.
Pesquisadores de vários países, entre eles Inglaterra e Canadá, estudam como o modelo pode ser adotado em outros locais. Na cidade canadense de Vancouver vem sendo desenvolvido o Índice Canadense de Bem-Estar, que deve ser implantado em breve, explicou o palestrante Michael Pennock, integrante da área de saúde da administração de Vancouver e também coordenador da colaboração internacional na implementação do FIB. Para ele, a vantagem do modelo FIB é que evidencia a importância de que todos os setores de governo devem trabalhar de forma harmônica levando em conta as nove dimensões, sem priorizar uma área específica, tendo em vista que o bem-estar dos cidadãos depende da compreensão de que as nove dimensões são interdependentes.
O economista Ladislau Dowbor enfatizou na conferência que o processo participativo da população na implantação do FIB no Butão é que vem garantindo o êxito da experiência. Segundo Dawbor, para que as decisões estejam a serviço de garantir o bem-estar individual e coletivo é preciso um “deslocamento de poder por trás desse processo”, ou seja, as pessoas devem se envolver no debate como protagonistas. E destaca: “não vai aparecer papai-noel para resolver a vida das pessoas, a política tem que ser as pessoas”.
O modelo do FIB já vem sendo implantado na cidade de Angatuba, no interior de São Paulo. Na capital paulista, o secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge Sobrinho, que participou da conferência, demonstrou interesse em iniciar pesquisas de medição do FIB em subprefeituras da capital.
A Prefeitura de Bento Gonçalves também tem experiências positivas da aplicação do FIB no interior do Rio Grande do Sul
A 5a.Conferência FIB em Fortaleza tem o objetivo de capilarizar estes novos conceitos de desenvolvimento sustentável integrando o homem como fim mais importante do processo.
Magui Guimarães
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