Era uma terça-feira. Ele dirigiu-se para a praia, como fazia quase todos os dias, na hora de intervalo antes do começo da tarde. O céu estava azul e corria uma suave brisa do norte.
Caminhou com os pés descalços pela quente areia branca em direção ao mar. Respirou fundo e deixou que as memórias da manhã se desvanecessem no murmúrio das ondas. Um bando de andorinhas do mar cruzou o horizonte lançando no espaço um canto agudo.
Os mesmos olhos que outrora habitavam um corpo de menino observavam agora em corpo de adulto aquele mar sem fim. Ali ficou, fora do tempo num outro tempo, fora do espaço num outro espaço, contemplando o oceano.
A nossa natureza essencial é como o oceano profundo - indefinível, inalterável perante as marés e imperturbável diante das tempestades da vida.
Na superfície do oceano, um movimento incessante de transfigurações sempre ocorre, desde as vagas alterosas e escuras até o mais calmo espelhado mar de prata. O navegador experiente não se desespera e não se deixa iludir; nem pela calma aparente nem pela violenta agitação. Ele conhece a Lei e contempla a beleza do momento, enquanto aguarda com a serenidade da alma imortal o momento propício para partir rumo ao horizonte.
O caminho da felicidade principia naquele momento em que cada um de nós inicia a busca daquilo que realmente é, deixando para trás aquilo que aparenta ser. O primeiro passo rumo à felicidade começa quando alguém toma a decidida resolução interior de diminuir a sua ignorância procurando obter o conhecimento certo sobre a Vida.
Uma considerável parte dos nossos sofrimentos, como indivíduos e como sociedade, surge do fato de não sabermos quem realmente somos. Quando não sabemos quem somos, dificilmente podemos saber por que aqui estamos e para onde nos devemos dirigir. Redescobrindo quem somos, é possível traçar um caminho seguro rumo à verdadeira felicidade.
Joaquim Soares